terça-feira, 23 de maio de 2017

Sobre a Corrente do Bem



Certa vez, perguntaram a Galileu Galilei (1564-1642), importantíssimo homem de ciências italiano, qual sua idade. Ele respondeu: "oito ou talvez dez". Sua barba branca, em “evidente” contradição com sua resposta, causou perplexidade ao seu interlocutor. Galileu, por sua vez, talvez movido por compaixão, logo se incumbiu de melhor explicar sua resposta: “tenho, na verdade, apenas os anos que me restam de vida, porque os já vividos não os tenho mais, do mesmo modo que também não tenho as moedas que já gastei”.

...

A realidade do ser humano é dual. O mundo assim nos foi apresentado e é neste cenário que devemos trilhar nosso caminho, nossa Senda, como nos disse Sri Ram (1889-1973). Cada qual procurando viver seu Dharma, por meio de sua vida kármica (para aqueles que bebem de fontes da tradição oriental), ou vivendo sob a palavra de Deus (na tradição cristã ou de outras religiões afins), por exemplo (respeitada toda a diversidade de entendimentos, fé ou crenças, como preferirem chamar).

Mas o que significa o mundo ser dual? Esta é uma importante pergunta, a qual, se corretamente investigada, nos dá importantes pistas sobre como trilharmos nosso caminho.

Vejamos.

A dualidade é a forma pela qual os seres humanos compreendem o mundo, por oposição. O dia é o oposto da noite. Sabemos o que é o branco porque compreendemos o preto. Sentimos alegria porque já experimentamos a tristeza. Certamente você pede seu cafezinho ou seu suco de limão com açúcar porque, inadvertidamente, já os tomou sem açúcar e isto foi a causa de interessantes expressões faciais (me perdoem os adeptos do não uso do açúcar refinado pelo exemplo dado; registro que a sabedoria está com vocês, não conosco, pois sentem o real sabor das coisas!). Alegramo-nos com o nascimento de uma nova vida, pois já sentimos a dor da perda...

É nesse contexto que a resposta de Galileu Galilei alcança sua máxima expressão e pode ser um divisor de águas em nossa existência. Por oposição, nos ensinou a importância de valorizarmos o tempo que nos resta e não lamentarmos o tempo que já passou. Daí podermos extrair que, igualmente, não devemos ficar presos aos atos passados, pois estes já geraram marcas e novas experiências. Já se exauriram. O que nos interessa, agora, é o que fazemos com o nosso presente, motor do nosso futuro.

Conta uma antiga tradição que uma pequena e simples luz de candeeiro trazida por uma alma em busca de sabedoria foi capaz de acender diversas outras luzes de outros candeeiros, após uma tempestade. Isto trouxe a luz novamente a todos, que puderam se organizar, após o caos da escuridão.

Vivemos uma época de escuridão, de desesperança. É o que todos sentimos, em nosso dia-a-dia. Desesperança em nossos governantes, desesperança em nossa sociedade. Desesperança no próprio ser humano. Mas devemos nos lembrar, oportunamente, que o ser humano sempre viveu em épocas de desesperança. E se tais épocas são passado e experimentamos, em alguma medida, algumas evoluções, é porque sempre houve pequenas luzes de candeeiro dispostas a trazer mais luz a todos. As almas despertas que as trouxeram e dedicaram suas vidas a servir a todos, com a mente sempre guiada pelo coração, forjaram uma forte corrente: a corrente do Bem, da Unidade. Esta corrente não só impede o rolar abaixo da pedra, como a impulsiona vagarosamente morro acima...

Assim, saibamos entender que nosso crescimento se dará pelo contraste. Qualquer ser humano é capaz de perceber falta de harmonia, de paz, de justiça, de beleza, quando escuta verdadeiramente seu coração, sem estar movido por interesses pessoais, que em nada acrescentam ao Todo. Se reconhecemos a falta, devemos prover, por meio de ações conscientes, lideradas pelo coração.

Vamos nos valer de nossa real idade (como nos disse Galileu) para que, em qualquer cenário que atuemos, a partir de hoje, sejamos luz, sob pena de nos tornarmos escuridão, desordem e caos...

Delano Lisboa
Membro voluntário de Nova Acrópole







segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Ser Humano: o Agente da História


Em várias unidades da Nova Acrópole no Brasil, tivemos a oportunidade de dedicar um dia especial à “Arte no Renascimento”. Deliciamo-nos com o estudo de algumas das grandes obras artísticas de vários gênios da humanidade. E pudemos investigar mais a fundo quais foram os motores ocultos por trás dessa grande Revolução Cultural que se deu na Europa entre os séculos XV e XVI.

O Renascimento provocou transformações nos cânones artísticos, no desenvolvimento científico e na concepção religiosa e política. Um período de crise, de mudança de todo o tipo que marcou a passagem da chamada Idade Média à Idade Moderna.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Planos para o Ano Novo



Não é incomum, em inícios de ano, examinarmos o período anterior e listarmos as nossas “necessidades” para o próximo ano. Ao fazer isso, acabei por perceber que alguns dos meus projetos frustrados não eram reais necessidades, e sim simples desejos, quase que caprichos pessoais. Se tivessem sido realizados, talvez esta minha pequena meta tivesse se chocado contra a grande meta, a de todos os anos, a de sempre, que é crescer como ser humano e ajudar os demais a crescerem, da forma mais eficiente que me for possível.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O que é voluntariado?



 
Hoje, 05 de dezembro, é o Dia Internacional do Voluntariado, instituído, pela ONU, em 1985. Todos sabem que o voluntariado tem sido abraçado por uma cada vez maior quantidade de seres humanos, e isso é uma esperança. Mas, como tudo que é humano pode se aperfeiçoar, acrescento algumas observações ao assunto.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Pátria amada, Brasil



Das recordações de infância, guardo com muito carinho as manhãs ensolaradas em que, perfilados em frente à porta da sala de aula, cantávamos o Hino Nacional Brasileiro, com a mão sobre o peito vendo nossa Bandeira ondular ao vento. E me lembro de que naqueles momentos havia um sentimento de força e poder, perceptível por muitos de nós, e que sentíamos emanar de nossa união a cantar, em alta voz, naquela posição marcial, as sagradas palavras de nosso Hino. E vinha também, lá do fundo, uma sensação indefinível, de que éramos chamados a atender algo importante, maior do que todos nós, e que nos necessitava para se tornar realidade.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Por que Filosofia?



A cada dia mais temos sido bombardeados por notícias de crimes terríveis praticados por pessoas consideradas pela maioria de nós como normais. São pessoas que tiveram excelente formação escolar, que conquistaram projeção social, e que tiveram acesso a tudo que nossa sociedade propõe como as metas válidas para uma vida bem sucedida. No entanto, não aprenderam sobre o que mais importa!

Isso deve nos obrigar a refletir sobre os rumos de nossa sociedade. O que desejamos?

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Homenagem a Johann Sebastian Bach

Há alguns dias, vi um vídeo no qual dois elefantes dançavam ao som de Johann Sebastian Bach. A cena era, no mínimo, diferente do ambiente das salas de concerto: uma violinista tocando trechos de uma obra para dois violinos (BWV 1043) em frente à cerca que a separava dos executantes do balé de trombas e abanadas de orelhas, enquanto a plateia sorria desconcertada.
O curioso é que, segundo a tradição hindu, o elefante é símbolo da Sabedoria. As características deste animal, cujas orelhas são bem maiores que a boca e tem olhos muito miúdos, correspondem às de um sábio: mais ouve do que fala,

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Severo Snape nos ensina o que é Coragem

Coragem, uma virtude muito mal compreendida no momento atual. A coragem é mais que enfrentar desafios, e está relacionada com o coração. Etimologicamente vem do latim coraticum, cor (coração) + aticum (ação), ou seja, agir com o coração.

Muito mais que subir montanhas e saltar de grandes alturas, a coragem é um ato nobre do ser humano de agir com o melhor que existe dentro dele, com o mais profundo de seu coração. Por isso, Severo Snape dentro dos simbolismos de Harry Potter, representa essa admirável e rara virtude.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Giordano Bruno, mártir da ignorância humana


"Não é fora de nós que devemos procurar a divindade, pois que ela está do nosso lado, ou melhor, em nosso foro interior, mais intimamente em nós do que estamos em nós mesmos." (Giordano Bruno, A ceia de cinzas).

Em 27 de janeiro, nasceu Mozart, o compositor; em 17 de fevereiro, morreu Giordano Bruno, o filósofo. Do primeiro, pouco se precisa falar: todos lembram do prodígio que, ao cinco anos de idade, compunha e dava concertos ao piano. Nem todos lembram tanto, porém, do segundo, filósofo condenado à fogueira por heresia e executado em 1600 por afirmar, entre outras coisas, a existência

domingo, 31 de julho de 2016

Do interior do Homem, um silencioso chamado



Em nossos dias, muitas propostas têm sido feitas em nome da felicidade humana: o carro do ano, a roupa da moda, “ser a bola da vez”...  A viagem dos sonhos, o cargo mais importante, o salário mais cobiçado, o chefe mais camarada, o parceiro(a) ideal, os filhos ideais... Para cada necessidade humana, uma solução à pronta entrega. Mas, chega um momento que o ser humano se pergunta: há algo mais?  Será que sabemos de fato quem somos nós e o que nos torna plenos de realização e bem estar apesar de tantas circunstâncias vividas?